quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Os resultados da sua empresa são sustentáveis?

Uma das questões importantes a ser considerada para a eficácia dos negócios é se os resultados de uma companhia são obtidos a partir de um planejamento ou são muitas vezes bons, mas a partir de uma casualidade de mercado, de cenário externo, identificado após a obtenção dos resultados, sem um planejamento formal e refinado.

Ora, para entender melhor este conceito façamos uma analogia. Certa vez um humilde fazendeiro estava a invejar os resultados obtidos na sua lavoura, em especial, à sua plantação de trigo. Sabia ele que estes resultados eram uma simples dádiva de um ser superior. Pois, também pudera, não havia nenhum planejamento que considerasse, por exemplo, em que época plantar a semente; qual seria a melhor adubação; qual a condição necessária do solo; qual o distanciamento entre as sementes para o plantio; as condições climáticas necessárias para o sucesso da sua plantação entre outros tantos fatores a serem considerados numa etapa de planejamento de uma plantação. No entanto, inexplicavelmente o fazendeiro colhia bons frutos.


Já num lugar não muito distante, outro fazendeiro também exaltava seus resultados, também relacionados à plantação de trigo. Embora as condições climáticas tenham sido as mesmas que afetaram à plantação do primeiro fazendeiro, dada a proximidade entre as fazendas, outros fatores como a adubação e o terreno eram específicos de cada fazenda, assim como o tipo de semente utilizada e a forma do plantio, os quais poderiam variar os resultados obtidos. No entanto, o que o fez ter bons resultados fora a etapa de planejamento da plantação, na qual, o segundo personagem, havia destacado detalhadamente todas as etapas necessárias e influenciadores do sucesso de sua plantação.

Já, no ano seguinte, percebeu-se uma grande diferença entre os resultados de ambos os fazendeiros daquela região. O primeiro, que no ano anterior havia colhido bons resultados mesmo sem planejamento da sua plantação, lamentava suas péssimas consequências, decorrentes de fatores que jamais haveria de levar em conta para o sucesso de sua plantação. O segundo fazendeiro continuava a colher bons resultados. Como este já estava habituado com o planejamento de sua plantação, neste ano não o fora diferente: o seu planejamento levou em consideração tendências de cenários que poderiam vir a prejudicar a sua plantação. Tomou, no entanto, algumas contramedidas para se antecipar a estas tendências, as quais de fato se concretizaram. Mas, como havia um planejamento, seus resultados continuaram a ser os melhores daquele vilarejo. Já, para o primeiro, sem planejamento de sua plantação, seus resultados foram influenciados pela efetivação das tendências as quais somente foram percebidas pelos efeitos.


Qual o seu modelo de gestão? A do primeiro ou segundo fazendeiro?


Com certeza o segundo fazendeiro trabalhou os conceitos de sustentabilidade, pois, com o planejamento, estava garantindo a perenização de seu negócio e de seus resultados.





Abraços e até a próxima.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Atrasos e cancelamentos dos voos da Webjet Linhas Aéras

Nesta semana, dia 27 de setembro, deparei-me com uma notícia que dava conta da intervenção do Ministério Público Federal instaurando inquérito civil público para apurar as causas e as responsabilidades dos atrasos e cancelamentos de voos da Webjet Linhas Aéreas, chegando à decisão de proibição de vendas de bilhetes de passagens da companhia aérea.


Ora, a que ponto nós chegamos? Temos que esperar a intervenção de um órgão governamental fiscalizador para dar jeito no funcionamento dos processos operacionais de uma empresa. Como cliente de vários serviços ou produtos estou preocupado em saber que posso ser afetado por incompatibilidades de funcionamento dos seus processos e estas anomalias somente serem corrigidas quando chegar o cúmulo da intervenção do governo federal.

Onde está o respeito ao consumidor? A gestão das empresas? A gestão das reclamações dos clientes? A gestão dos seus processos? Porque as empresas não fazem, por iniciativa própria, valer, no mínimo, o Código de Defesa do Consumidor e a Legislação aplicável ao seu Setor? Isto seria uma prática mínima quando se trata de responsabilidade social.

E o caso que cito aqui é pontual desta empresa. No entanto, se o leitor lembrar, tais eventos já ocorreram com outras empresas também, principalmente as de setores regulamentados.

Chegamos a ponto de não ter então, um modelo de gestão no qual se utilize os conceitos da administração somados aos princípios da qualidade. O foco da empresa então, é o cliente? Crescemos a qualquer custo?

Antes de falta de qualidade, é um desrespeito em relação à Legislação Brasileira e ao próprio cidadão. Responsabilidade Social? Qualidade? Foco no cliente?

sábado, 25 de setembro de 2010

Como está a gestão de pessoas da sua empresa?

A Quinta Disciplina de Peter Senge nos brinda com um conceito importantíssimo para o mundo atual dos negócios: o Pensamento Sistêmico, o qual nos faz refletir profundamente sobre o modelo de gestão que imprimimos em nossas organizações, as quais são compostas, invariavelmente, além de outros recursos, por pessoas, quer seja na indústria, comércio ou serviços, em qualquer setor, ou em instituições de qualquer porte.



O modelo nos propõe uma revisão radical nos valores de gestão. Propõe valores como participação criativa em substituição à obediência; alinhamento e comprometimento em substituição ao comando e controle; ambiente ricamente interconectado em substituição à comunicação verticalizada; equilíbrio entre dimensões em contraposição à produtividade a qualquer preço; visão sistêmica e interdisciplinaridade em substituição à especialização; organicismo em substituição ao mecanicismo.

Uma grande evolução já se deu na administração quando desenvolvida na década de 1930, a abordagem das relações humanas, obtida a partir do projeto de pesquisa conhecido como a Experiência de Hawthorne, visava compreender como processos sociais e psicológicos interagem com a situação de trabalho na influência do desempenho. Os resultados do trabalho levaram os pesquisadores a concluir que a produtividade pode ser mais influenciada por fatores psicológicos e sociais do que por influências físicas e objetivas.

A capacidade de formação de uma equipe de trabalho, alinhada a objetivos organizacionais, constitui o diferencial de uma empresa para o sucesso da implementação de suas estratégias e operacionalização dos seus processos de forma a posicionar a instituição na liderança no mercado competitivo.

A forma pela qual as pessoas são gerenciadas na organização determina o trabalho em equipe ou não. As pessoas não querem mais obedecer: elas querem fazer parte da tomada de decisões, obedecendo obviamente os níveis de autonomia estabelecidos. A empresa, por sua vez, precisa dar espaço para que isso aconteça. Como vamos obter comprometimento de todos com a causa principal da empresa se não os envolvemos na elaboração dos objetivos e metas?

No mundo atual das empresas, as pessoas não aceitam mais ser comandadas e controladas como se fossem intrusos no ambiente da organização e que só são úteis no momento do “pegar junto”. E isso não é influência da geração Y ou de qualquer outra geração, mas sim, condição de respeito ao Ser Humano, que não é simplesmente uma máquina fria e mecânica. É preciso criar espaço para alinhar o pessoal com os propósitos da companhia e, desta forma, comprometê-los com os desafios postos. Este espaço advém de diálogos com os funcionários sobre as perspectivas da empresa e suas necessidades para auxiliar no seu alcance. Não é possível admitir que os funcionários não saibam dos resultados que a empresa quer e está alcançando, incluindo resultados financeiros, por exemplo.

Da mesma forma, a comunicação interna das organizações precisa ser repensada. Os funcionários não querem ouvir somente aquilo que é interessante para a direção, mas sim, precisam expressar suas opiniões, sem medo de serem rechaçados pelo seu ponto de vista. E nenhum líder precisa se sentir ameaçado se for competente para compreender as opiniões dos seus liderados e adaptá-las às ações cotidianas de trabalho.

Você lembra-se do tempo em que, para administração, o importante era tão somente a produtividade? Obviamente que esta época, no início do século XX, se antecipa à das relações humanas, citada acima e, com certeza, não cabe nos modelos de gestão do século XXI. Querer produtividade a qualquer preço é o mesmo que querer tirar suco de um limão para produzir dois litros de concentrado. Isto jamais será possível. Articulação é um fator importantíssimo para a produtividade. Um ambiente de estresse físico e mental, por exemplo, não permite uma produtividade no nível desejado. Ainda, influenciam nesta o layout dos serviços, ou processos, de forma a evitar esforços físicos ou deslocamentos desnecessários, com consequência perda de tempo, e a organização do ambiente de trabalho, de tal modo que os materiais e ferramentas estejam disponíveis e facilmente localizáveis para o seu uso imediato, otimizando tempo e permitindo ao funcionário demonstrar suas capacidades, sem ser influenciadas pelos aspectos físicos. Quero dizer que a produtividade não ocorre somente através de sangue e suor, mas sim, por meio de um planejamento e realização de ações internas que visem elevá-la, sem necessitar imprimir um grau maior de pressão nos funcionários.

Assim, a Quinta Disciplina de Peter Senge nos ensina que as pessoas, em todos os níveis hierárquicos, precisam ter um pensamento sistêmico a cerca das atividades que executa, do seu alinhamento com os objetivos da empresa e do atendimento, por meio de seus serviços, às necessidades de todas as partes interessadas da organização.

Mais uma vez concluímos que a importância do desenvolvimento contínuo das pessoas, bem como, a reavaliação do modelo de atuação com as pessoas dentro da companhia, são fundamentais para que os objetivos sejam plenamente atingidos, utilizando-se da capacidade plena das pessoas que a constituem.